Ocupação italiana na Albânia  (Segunda Guerra Mundial) escrito em sábado 16 janeiro 2010 03:35

Blog de renanfelipe :Renan Felipe dos Santos, Ocupação italiana na Albânia

Ocupação italiana do Reino da Albânia

"A Albânia é a Boemia dos Balcãs, quem tem nas mãos a Albânia tem nas mãos a região balcânica. A Albânia é uma constante geográfica da Itália, que assegura o controle do Adriático [...] no Adriático não entra mais ninguém [...] alargamos as barras do cárcere do Mediterrâneo."

(Benito Mussolini, reunião de 13 de abril de 1939 do Grande Conselho do Fascismo)

A Albânia existiu como nação independente de jure, oficialmente conhecida como Reino Albanês de 1939 à 1943, sob ocupação da Itália fascista.

História

A influência italiana na Albânia

A Albânia já estava ocupada por um corpo de expedição italiano em junho de 1917, durante a Grande Guerra, e estava submetida ao protetorado italiano. Com o Tratado de Tirana de 1920, entretanto, Giolitti havia renunciado ao protetorado de seu estado balcânico reconhecendo sua plena independência em troca da ilhota de Saseno. As coisas mudaram com o advento de Mussolini. A política externa fascista iniciou com a própria obra de expansão nos Balcãs com a operação diplomático-militar de penetração na Albânia; a proclamação, em 1925, de Ahmed Zog como Chefe de Estado pôs as bases para a prossecução e reforço da influência italia na região e já no mesmo ano de 1925 acordos foram estipulados entre os dois países graças ao trabalho dipolomático de Alessandro Lessona, primeiramente, e do Secretário Geral do Ministério de Relações Internacionais, posteriormene. Com a ratificação destes acordos, Zog assegurou todas os requisitos italianos:

"Em um tratado militar secreto [...] A Albânia põe à disposição da Itália o seu território na eventualidade de uma guerra com a Iugoslávia; [...] concessões de zonas petrolíferas, [...] concessões agrícolas em zonas a definir, [...] constituição do Banco de emissões da Albânia com capitais italianos."

Em 26 de junho de 1926, ainda, é assinado o acordo com o qual a Empresa Italiana de Petróleo da Albânia (Azienda Italiana Petroli Albania - AIPA) assume, em concessão exclusiva, a gestão dos recursos petrolíferos da região do Devoli. Em 30 de agosto de 1933 o ensino da língua italiana foi feito obrigátorio em todas as escolas do reino. Em março de 1939 Benito Mussolini propôs ao Chefe de Estado Zog um novo tratado que cederia totalmente a soberania nacional albanesa retirando o governo de Zog do poder de decisão nos campos estratégicos como a economia e a política externa. O tratado foi articulado em 8 pontos: a aliança militar entre os dois países (art.1); a integridade territorial da Albânia reconhecida pela Itália (art.2); a possibilidade de a Itália intervir com meios próprios em caso de perigo à ordem pública interna ou por uma agressão externa ao território albanês (art.3); uma série de acordos sobre a exploração dos recursos e da infraestrutura albanesa pela parte italiana (arttt. 4-5-6-7); e finalmente o artigo 8, base para o expansionismo demográfico italiano na Albânia, no qual se lê:

"Os cidadãos albaneses residentes na Itália e os cidadãos italianos residentes na Albânia lograrão dos mesmos direitos políticos e civis que os cidadãos de seus estados em seu próprio território"

O artigo 9 do tratado representou o ponto de ruptura entre as duas partes, uma vez que Zog, apesar de suas estreitas relações com a Itália, não poderia aceitar estas condições.


O golpe italiano


A invasão da Albânia de 1939, ocorrida em 7 de abril, fez parte das operações militares do Reino da Itália para a expansão territorial e econômica às vésperas da Segunda Guerra Mundial, iniciada em 1º de setembro de 1939. As tropas italianas invadiram o território albanês desembarcando em Santi Quaranta, Valona e Durazzo. A resisência armada albanesa, organizada por exemplo em Durazzo por Mujo Ulqinaku, revelou-se insuficiente contra as forças armadas italianas. O rei e o governo fugiram para a Grécia e foram obrigados ao exílio, e a Albânia deixo de fato de existir como Estado independente. As perdas italianas nos 3 dias (7,8 e 9 de abril) necessários à ocupação do País, alcançaram um total de 93 homens (12 mortos e 81 feridos) dos quais oficiais 1 morto e 9 feridos, sub-oficiais 1 morto e 8 feridos, e soldados 10 mortos e 64 feridos; 60% das baixas foram da Marinha. O total de italianos que desembarcaram na Albânia e ocuparam o país foi de cerca de 22.000. Os invasores italianos instauraram também um governo fantoche com uma nova Constituição, que transformou a Albânia em colônia italiana. O trono albanês foi assumido pelo Rei Vittorio Emanuele III, que reinou até o o armistício de 8 de setembro de 1943 (quando a Itália se une aos Aliados). Deve-se adicionar que o ataque à Albânia ocorreu uma semana depois da conclusão da Guerra da Espanha (1º de abril de 1939). Segundo alguns, este ataque deveria ter ocorrido logo após a guerra da Etiópia (Abissínia) de 1936, mas foi adiado por causa da guerra espanhola, onde Mussolini se envolveu militarmente ao lado de Francisco Franco (1936-1939).

As relações exteriores albanesas, como também os recursos naturais, passaram a ter controle direto da Itália. Os fascistas permitiram aos cidadãos italianos assentarem-se na Albânia, com o objeivo de transformá-la em território italiano em todos os sentidos. De fato, no curso de toda a ocupação vieram cerca de 11.000 colonos italianos (a maioria proveniente de Veneto e do sul da Itália) que se concentraram nas zonas de Durazzo, Valona, Scutari, Porto Palermo, Elbasani e Santi Quaranta. A estes colonos somam-se 22.000 trabalhadores italianos enviados temporariamente à Albânia em abril de 1940 para construir estradas, ferrovias e infraestrutras. A Albânia serviu para Mussolini também como ponto de partida para a conquista da Grécia, uma vez que iniciara a transformação do Mediterrâneo no "Mare Nostrum" do império romano. De fato, com a invasão da Albânia, o Duce estava decidido a seguir o caminho dos romanos, para a conquista dos Balcãs (a antiga Illiria).

Segunda Guerra Mundial

Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, as potências do Eixo ocuparam por inteiro o Reino da Iugoslávia (Operação 25), que foi "eliminado" do mapa: com base na Nova Ordem européia buscada por Hitler, foi criado o Estado Independente da Croácia (que compreendia a maior parte da Croácia atual e toda a Bósnia-Herzegovina moderna), sob comando do chefe da Ustasha, Ante Pavelić; os italianos anexaram o litoral da Dalmácia com Sebenico, Spalato e Cattaro (Governo da Dalmácia), assim como a Carniola (província italiana de Lubiana); a Stiria passou a fazer parte do Terceiro Reich, a região de Baka foi passada à Hungria; Montenegro, terra natal da rainha Elena, foi destinado à independência sob protetorado italiano; finalmente, a Albânia adquiriu boa parte de Cossovo, a parte ocidental da Macedônia iugoslava (Dibrano) e, às custas de Montenegro, extendeu suas fronteiras ao norte, na região da Metohija. De fato, Alemanha e Itália, incluídas entre as grandes potências da época (1913-1915) e participantes da famosa Conferências dos Embaixadores em Londers, 1913, onde foram estabelecidas as fronteiras da Albânia deixando de fora mais da metade dos territórios albaneses com uma população prevalentemente albanesa (90%), assumiram o direito de incluir na Albânia de 1941 aqueles territórios que lhe foram tirado sem 1913-1915 e posteriormente de maneira definitiva na Conferência de Versalhes de 1919. Então a anexação de Cossovo à Albânia resultara como uma reparação pelas injustiças acima mencionadas. Deve-se mencionar, para valorizar esta anexação de Cossovo, que a educação em língua albanesa era proibida pelo governo iugoslavo, tendo sido vetada durante toda a ocupação otomana, ainda que a população albanesa utilizasse sua língua nacional. De fato, o Ministro da Educação do considerado governo "fantoche" de Mustafá Kruja, abriu em Cossovo 200 escolas de língua albanesa enviando mais de 200 professores. Deste momento em diante, a educação em língua albanesa em Cossovo passou a ser oficial e continuou durante a Federação Iugoslava até nossos dias, com a independência de Cossovo.

Nas novas províncias do Cossovo e de Dibrano viviam minorias sérvias, montenegrinas e búlgaras, que foram objeto de uma política de albanização forçada, à qual as autoridades italianas não se opuseram. Nestes territórios as práticas de expatriação e limpeza étnica eram de praxe: nomes e topônimos macedônios, gregos, sérvios e montenegrinos foram albanizados; foram "encorajados" as transferências de populações búlgaras e gregas das regiões de ocupação albanesa para aquelas de ocupação búlgara ou para a Grécia. Logo depois da divisão da Iugoslávia, tanto Bulgária quanto Albânia disputaram a Macedônia. Com a primeira tendo a seu lado os alemães, preocupados em não suscitar atritos com os búlgaros por causa da ocupação alemã em Salônica, enquanto Roma apoiava as reivindicações albanesas. Os alemães concederam à todas as tropas búlgaras o avanço até Ocrida, onde as tropas ítalo-albanesas haviam entrado primeiro. Neste ponto, o embaixador italiano em Sófia, Massimo Magistrati, encontrou o embaixador alemão, afirmando que Ocrida e Struga deviam passar para a Albânia. Wolfram von Richtofen lhe respondeu claramente que Berlim preferia resolver a questão a favor de Sófia (Ocrida era pátria do venerado São Clemente). A disputa foi assim resolvida: Tetovo, Gostivar, Kicevo e Struga, assim como a porção sul do lago de Ocrida e a zona do lago de Prespa (ao todo cerca de 230.000 habitantes) costituíram a província albanesa de Dibrano, enquanto a cidade de Ocrida e o resto da Macedônia iugoslava passou para os búlgaros.

Os albaneses não se renderam e reivindicavam também a Ciamuria, região grega habitada por uma importante comunidade albanesa. A Itália apoiou as reivindicações albanesas e iniciou sua campanha de provocação à Grécia, estopim que culminaria como justificativa para a ação militar italiana em terras helênicas. Depois da total ocupação da Grécia pelas potências do Eixo (Operação Marita), a Itália começou a preparar seu caminho para uma iminente anexação da Grande Albânia do Épiro: alavancando-se no fenômeno da inssureição albanesa, os italianos instigaram uma violenta perseguição contra os cidadãos gregos e contra a comunidade judia residente no Épiro. As milícias albanesas guiadas por oficiais italianos destruíram, saquearam incendiaram vilas inteiras realizando verdadeiros massacres de civis: « no distrito de Paramythia, 19 vilas foram saqueadas e posteriormente incendiadas, 201 civis foram morto; entre aqueles de Igoumenitza, as vítimas da repressão foram outras 150.»

Pós-guerra

As estatísticas dos anos em que a Albânia foi ocupada pela Itália falam em 28.000 mortos, 12.600 feridos, 43.000 deportados e internados em campos de concentração, 61.000 habitações incendiadas, 850 vilas destruídas. Os militares italianos incluídos na lista da Comissão das Nações Unidas para crimes de guerra e naquelas do governo da Albânia, em 10 de fevereiro de 1948, somavam 145, dos quais 3 incluídos na lista da comissão e 142 assistentes com nota verbal do governo albanês que fez a aplicação de extradição para a Itália. Nenhum dos acusados foi extraditado muito menos processado.

Bibliografia

  • Davide Conti, L'occupazione italiana dei Balcani. Crimini di guerra e mito della «brava gente» (1940-1943), Roma, Odradek, 2008. ISBN 978-88-869-7392-2

  • Davide Rodogno, Il nuovo ordine mediterraneo. Le politiche di occupazione dell'Italia fascista in Europa (1940-1943), Torino, Bollati Boringhieri, 2003. ISBN 978-88-339-1432-1
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Jean-Antoine Watteau - Você quer ter sucesso com as mulheres?  (Arte) escrito em quinta 11 março 2010 12:02

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William Turner - Ulisses ridicularizando Polifemo  (Arte) escrito em quinta 11 março 2010 12:02

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Saudades!  (Minha vida e minhas visões) escrito em quinta 11 março 2010 12:02

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Gente, quantas eras não posto nada aqui, hein!
Bom, agora trabalhando e estudando fica meio difícil, mas tentarei postar mais conteúdo por aqui. Sempre com o foco naquelas coisas que eu venho postando - história, arte e línguas.

Para o pessoal que gosta de línguas, deixo um poema bonito que encontrei nas andanças pela Web, em espanhol e que dedico à Maria, a menina mais linda deste mundo ;)

Reencuentro
autoria de Fabián Ruiz

Tanta lágrima y anhelos derramados
tanta emoción y sensibilidad contenidas
en mágico vuelo ha llegado vida mía
nuestro reencuentro tan ansiado.

Deja que mis dulces palabras te arrullen
cual armonioso canto de áureo ruiseñor
abrazarte hasta que la distancia se derrumbe
en esta inmensa alegría, punto final del dolor.

Deja que mis sentidos recorran tu cuerpo
hasta anidar en tus labios un beso eterno
que deje grabado a puro sentimiento
la incontenible pasión que por ti siento.

Déjame olvidarme del mundo en tus brazos
y que sean historia las grises tardes del hastío.
Sentir tu corazón latiendo junto al mío
y en cada latido decirte ¡Cuánto Te Amo!

 

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Forças albanianas em 1939  (Segunda Guerra Mundial) escrito em quinta 21 janeiro 2010 02:22

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Exército:

780          oficiais
13.200     soldados
9              distritos militares
12            batalhões de infantaria
2              esquadrões de infantaria motorizada
9              companhias de engenheiros

204         metralhadoras
10.700    carabinas Carcano Modelo 1891, Mannlicher, e Mosin
11.04      revólveres Glisente Modelo 1889

12           baterias de 65 mm Italian
6             baterias de 75 mm Skoda
2             baterias de 105 mm Italian
2             baterias de149 mm Italian (8 canhões)
1             bateria de artilharia costeira em Durres
3             baterias de Artilharia Anti-Aérea

Poucos tanques leves FIAT 3000B
Seis tanquetes CV.33
Poucos carros blindados (em torno de 8): Bianchi, Lancia IZ

Marinha

141         pessoal

2             canhoneiras (ex-varredores de mina alemães tipo FM - Flachgehende Minensuchboote)
               170 toneladas, 43/6/1.7 m, 14 kn., 76 mm gun, 2 MG
               Construídos em 1918/19, comprados em 1925.
              "Shqipnja" (ex-FM 16) & "Skanderbeg" (ex-FM 23)

4             barcos patrulha da classe italiana MAS
               Construídos e comprados em 1926, Veneza
               46 toneladas, 17 kn., 76 mm gun, 2 MG
               "Tirana", "Saranda", "Durres", "Shengjin"

Força Aérea


5             aviões, número de pessoal desconhecido

Gendarmeria

131       oficiais
3000     soldados
4-5       batalhões

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